segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Bubacar…

 

Ainda estou com um nó na garganta depois de ver a Reportagem da Alexandra Borges na TVI hoje: “Viagem sem Regresso” – O destino trágico dos doentes dos PALOP. Chorei copiosamente por causa do menino Bubacar, que veio da Guiné com a mãe. Esperou 1 ano e 6 meses pela junta médica lá na Guiné, para vir fazer tratamento cá em Portugal a um tumor do fígado. Tarde demais!!  Na cirurgia os médicos abriram-no e fecharam, pois já não havia nada a fazer. Restou-lhe esperar que a morte o levasse… queria ser médico… queria salvar os que ficaram lá na Guiné á espera da junta médica para vir tratar-se… a mãe é sozinha… o Bubacar morreu esta noite no hospital… a embaixada da Guiné não paga o funeral…

Milhares de doentes dos PALOP chegam todos os anos para serem tratados em Portugal.
Os acordos de cooperação são antigos. Portugal garante todos os tratamentos de saúde de graça e Angola, Moçambique, S. Tomé, Guiné e Cabo Verde deviam assegurar todas as outras despesas, como viagens, medicamentos, comida e dormida.
A verdade é que depois de terem alta dos hospitais estes doentes tornam-se num grave problema social. Primeiro porque as embaixadas ou não pagam os subsídios, ou pagam tarde e a más horas. Depois, porque ficam anos em tratamento e só sobrevivem graças aos assistentes sociais dos hospitais, muitos não têm dinheiro para os medicamentos, outros nem sequer para o bilhete de autocarro que os devia levar ao hospital para fazerem os tratamentos e, quase todos, tratam-se de barriga vazia.
Os médicos denunciam: estes doentes vêm morrer a Portugal e chegam tarde demais, muitos com diagnósticos errados e alguns até com diagnósticos falsos que lhes servem de bilhete de entrada no país e quando alguém entra desta forma significa que há alguém doente que ficou para trás e pode morrer.
«Viagem sem regresso» é uma grande reportagem da jornalista Alexandra Borges, com imagem de João Franco e montagem de Vasco Crespo. Esta segunda-feira, no «Jornal Nacional» da TVI
.” -- Texto daqui.

Há muita miséria por esse mundo fora!! Muita gente que não tem onde dormir, que não tem o que comer, nem se pode dar ao luxo de morrer com dignidade!!! Estou infinitamente triste!!!

 

Luisinha

5 comentários:

  1. Não vi a reportagem... Mas nestes momentos temos mesmo que repensar a nossa vida e nos nossos "tão pequenos" problemas:(

    Em relação aos comentérios trocados, podes cobrar à vontade:) Terei tudo o prazer:)
    Abraços

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  2. és 1 chorona linda......
    la tive eu de dar miminhos pra menina ficar menos triste :-))

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  3. Quando vamos para esses países percebemos o tanto que nós temos Luísa. Ainda agora estive em Angola e conheci uma miúda que tinha recebido no Natal umas cuecas e tinha sido uma loucura! Entt perguntei-lhe o que ela gostava MESMO MESMO de ter e a resposta dela, que tem 11 anos, foi...nunca tive uma boneca. Isto faz-nos pensar imenso, porque passamos a vida a queixarmos-nos e, na verdade, não valorizamos o que temos. Mandei já uma boneca mas a verdade é que não mudamos nada...

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  4. não podemos mudar todo o mundo. mas podemos mudar pequenas (grandes) coisas à nossa volta.

    ter o país tomado a responsabilidade de tratar desses doentes (de países com quase 40 milhões de pessoas) já é uma tarefa gigantesca. fizessem os seus governos o que é da sua responsabilidade (diagnosticar, pagar viagens, medicamentos) e tal arruinarnos-ia em três tempos... não o fazendo (e não podendo nós fazê-lo), façamos o que nos é possível (a esse respeito) e apoiemos (cada um) aqueles que nos estão próximos dentro do possível... não somos deuses. e tudo é limitado...

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Vá lá!!! Diz qualquer coisa aqui á menina!! ;))